12/01/2018 13:57

Mais de 540 acidentes com aranhas em 2017, na regional de Beltrão

Animais peçonhentos estão invadindo cada vez mais as residências das cidades. Está cada vez mais frequente o aparecimento de aranhas e cobras em lotes urbanos.

Vem chamando a atenção da população de Francisco Beltrão o frequente aparecimento de animais peçonhentos em diversos bairros da cidade. Com o clima mais quente, é maior a probabilidade de encontrar aranhas, escorpiões, cobras, lacraias e outros tipos de animais. "Todas as semanas nós recebemos algum chamado, seja para resgate de animais ou contabilização de algum ataque. As aranhas são os casos mais comuns", diz o médico veterinário do Departamento de Vigilância Sanitária, Arnaldo Donatti. Na região de Beltrão estão contabilizados 544 casos.


Para Arnaldo, o principal fator que contribui para o aparecimento dos animais é a falta de limpeza em lotes urbanos. "Em Beltrão há muitos lotes baldios em estado de abandono. Recebemos todos os dias denuncias de matagais e lixos em lotes baldios e, inclusive, em casas e lotes que estão para alugar ou à venda. Então a deficiência de limpeza periférica, o acúmulo de entulhos, principalmente de restos de construção são fatores cruciais para proliferação desses animais".

Muitas aranhas


Dentre os animais que mais aparecem são as aranhas marrom, armadeira e aranha-de-grama, escorpião marrom e as cobras coral (verdadeira e falsa), jararaca e urutu. "Os bairros que têm chamados com frequência são: Guanabara, Jardim Itália, Cristo Rei e Aeroporto. Outro fator que também podemos afirmar é a expansão da cidade. Está saindo loteamentos para todos os lados, então o animal se obriga a se deslocar e, por isso, acaba adentrando nas residências. Ali ele tem abrigo e tem alimento", conta Arnaldo. 
Há também casos de lacraias, taturanas e abelhas, que também são considerados animais peçonhentos. Antoninho Fontanella, do Deral-Seab de Beltrão, sofreu uma picada de lacraia ao calçar o sapato. "Eu calcei o meu sapato e andei umas oito quadras quando senti a picada. A dor era insuportável. Quando tirei o calçado vi que era uma lacraia", conta. 
"Coloquei a lacraia em um frasco e levei junto para UPA, lá recebi a medicação certa. É preciso tomar muito cuidado no dia a dia e caso se depare com uma situação igual a minha, é importante tentar levar o animal ou passar as características quando chegar ao hospital", acrescenta.
Os terrenos baldios que não são limpos frequentemente servem de atração para diversos animais. "Além dos animais peçonhentos, há também a proliferação de ratos e baratas. Barata, por exemplo, que é uma praga, serve de alimento para escorpiões e aranhas. Portanto, além do matagal e de entulhos como tijolo, telhas, canos e madeiras, que servem de abrigo, há o alimento, então os lotes sujos são muito atrativos", diz Arnaldo. 
Uma solução buscada por algumas pessoas é a aplicação de veneno no terreno, mas nem sempre há efetividade. "O escorpião, por exemplo, se esconde nos entulhos, embaixo deles, os venenos não penetram, e se o veneno não tiver contato direto, não mata, por isso a limpeza é o mais importante", acrescenta o veterinário. Arnaldo ressalta o cuidado que se deve ter com a limpeza. "Na hora de fazer a limpeza, é muito importante fazer o uso de EPIs [Equipamentos de Proteção Individual], como luva e caneleira, para ter segurança e evitar algum ataque, porque a maior parte das lesões provocadas por esses animais são nas pernas e braços". 
Segundo a Secretaria de Urbanismo de Beltrão, são dezenas de terrenos com mato, lixo e entulhos. Há leis municipais que obrigam os proprietários a manterem os espaços limpos. A Prefeitura identifica e notifica os donos e se os terrenos não forem limpos em dez dias, equipes da própria Prefeitura realizam a limpeza. Os custos serão somados ao IPTU do ano seguinte. 

Dois Vizinhos registrou casos com taturanas

JdeB - A Vigilância em Saúde de Dois Vizinhos não recebeu nenhuma denúncia do aparecimento de animais peçonhentos no município em 2018. "No ano passado, tivemos alguns casos de taturana, que são bem graves", disse Fabiano Pereira Borges, veterinário da Vigilância em Saúde. 
Neste ano, no entanto, não foi atendida nenhuma chamada para esses casos. "Sempre preconizamos que a população nos avise para que possamos fazer as investigações necessárias. O verão, com mescla de calor e chuvas constantes, ajuda a crescer o mato e isso é um cenário perfeito para esses animais. Também tem os casos de entulhos de construção abandonados que também servem de ninho para os peçonhentos", completa. O telefone da Vigilância em Saúde é 46-3581-5724.

Cerca de 10 mil casos no Paraná

Dados da Secretaria de Estado da Saúde mostram que em 2016 foram 14 mil casos de acidentes com animais peçonhentos no Paraná. Em 2017 - dados foram divulgados até setembro - cerca de 10 mil acidentes ocorreram. Desses, 5.624 foram por picadas de aranha, 1.236 por abelha e 924 por escorpiões. Nos 27 municípios da 8ª Regional de Saúde de Francisco Beltrão, em 2017 foram 544 casos envolvendo aranhas, 27 casos com serpentes, 21 casos com escorpiões e seis casos da lagarta lonomia, popularmente conhecida como taturana - que vitimou uma mulher de 60 anos em Dionísio Cerqueira (SC), na segunda-feira. 
Em Francisco Beltrão, segundo informações da Vigilância Sanitária, casos com aranhas lideram os índices com 23 acidentes de setembro de 2017 a janeiro de 2018. Desses, 90% dos casos são picadas de aranha marrom, uma das mais venenosas. Nesse mesmo período, houve nove acidentes com lagartas, cinco com abelhas, três com escorpião e dois com serpentes. 
Em Marmeleiro, nos últimos seis meses de 2017 foram 18 casos com animais peçonhentos, envolvendo serpentes, aranhas, escorpião, lagarta e abelha. 
Em caso de acidentes, a vítima precisa procurar, imediatamente, atendimento médico. "Os soros para venenos de animais peçonhentos ficam na Regional de Beltrão. Em Beltrão, a vítima pode ir até a UPA, pois lá é dado o primeiro atendimento. Nos demais municípios também é necessário buscar o pronto atendimento. Em casos mais graves, independente do município, a pessoa é transferida para o hospital de referência, que no caso desta regional, fica em Beltrão", informa a enfermeira responsável pela Epidemiologia da 8ª Regional de Saúde, Rejanesy Artifon. 
Em Beltrão, caso encontre algum animal peçonhento é possível acionar a Vigilância Sanitária para realizar a captura pelo telefone 3524-2131.

Fonte: Jornal de Beltrão