12/01/2018 09:39

Maior número primo do mundo é descoberto por engenheiro voluntário nos EUA

O número descoberto tem 23 milhões de dígitos

 

G1 Infográfico

O maior número primo já registrado foi descoberto no final de dezembro passado, por Jonathan Pace, um engenheiro eletricista de 51 anos, que mora no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, e trabalha para a empresa de entregas FedEx.

O número tem 23 milhões de dígitos.

Pelo feito, Pace tem direito a um prêmio de quase R$ 10 mil, mas, em entrevista ao G1, ele já avisou que vai doar a quantia.

A descoberta faz parte do projeto Grande Busca na Internet pelo Primo Mersenne (ou Gimps, na sigla em inglês), que desde 1996 reúne milhares de voluntários em todo o mundo e já descobriu 16 números primos.

Para participar, basta ter um computador e instalar um programa gratuito: assim, eles "emprestam" o tempo livre de seus computadores para a realização de cálculos automáticos enviados por um servidor central.

O objetivo é descobrir, cada vez mais, números primos, que são aqueles com os quais só é possível fazer uma divisão exata pelo número 1, ou pelo próprio número primo.

"O número 3, por exemplo, é primo, porque você só pode dividir 3 por 1 ou por 3. Os números 5, 7 e o 11 também são primos. Mas o 9 não, porque você pode dividir 9 por 1, por 3 e por 9", explicou Pace.

A divisão exata é aquela em que o resultado é um número inteiro.

Além do dinheiro (que, dependendo do número encontrado, pode chegar a mais de R$ 300 mil), os voluntários têm interesse no projeto para ajudar no avanço da matemática e também, quem sabe um dia, entrar para a história ao lado de grandes matemáticos do passado, como Euler e Euclides, que também estudaram os números primos.

Na vida prática, esse tipo de número também tem algumas utilidades: eles já foram usados, por exemplo, na elaboração de algoritmos de criptografia, segundo explicam os responsáveis pelo projeto Gimps.

 

14 ANOS COMO VOLUNTÁRIO

Engenheiro do Tennessee, casado com uma professora de educação infantil e com dois filhos, de 19 e 22 anos, Pace tem oficialmente um diploma de engenharia elétrica, mas diz que hoje a graduação feita por ele foi rebatizada de engenharia de computação.

Ele é funcionário da FedEx desde 1990, mas sua paixão pela matemática vem desde o ensino médio, quando ele foi incentivado por um professor da área.

Na data da descoberta, em 26 de dezembro, ele já era voluntário do projeto havia 14 anos e mantinha nada menos do que 18 computadores conectados ao servidor central do Gimps.

"Lá em 2003 eu li uma reportagem na internet sobre a descoberta do 40º número primo Mersenne", contou ele.

"O texto mencionava que qualquer pessoa poderia participar, e que uma fundação daria um prêmio de 100 mil dólares para quem achasse o primeiro número primo com 10 milhões de dígitos. Pensei que eu tinha a mesma chance que qualquer outra pessoa", explicou Pace.

Desde aquela época, o desafio da fundação levou cinco anos para ser completado.

"Acho que em 2009 outra pessoa encontrou o número e levou o dinheiro. Mas naquela época eu já estava engajado, tinha quatro computadores no projeto."

Agora, ele se tornou o nome por trás da descoberta do 50º número.

A cada novo número encontrado, fica mais raro que outro apareça, mas acredita-se que existe uma quantidade infinita de números primos.

 

M77232917

No release oficial divulgado pelo Gimps, em 3 de janeiro, confirmando a descoberta, o número encontrado por Pace é chamado apenas pelo seu apelido (M77232917), ou por sua representação na forma reduzida (2 elevado à 77.232.917ª potência menos 1).

O motivo é simples: ele tem 23 milhões de dígitos, o que dificulta sua representação.

Em um teste, o G1 tentou colar o número completo nesta reportagem, já sabendo que seria impossível.

Dito e feito. A barra de texto congelou e, após 30 segundos, o navegador mandou avisar que havia travado.

“Então pensamos em divulgar apenas os 50 primeiros dígitos, já pedindo perdão por qualquer quebra de página estranha na sua visualização: 46733318335923109998833558556111552125132110281771”.

A ideia seguinte foi fazer uma captura de tela com os dígitos em um tamanho legível.

O resultado é uma imagem contendo os 7.500 primeiros dígitos.

Essa imagem é a foto em anexo, mas seriam necessárias outras 3.098,9 telas para dar conta do número completo.

Embora no navegador a tarefa seja complexa, é sim possível vê-lo por extenso. 


Fonte: g1.globo.com/educação – Foto: Os primeiros 7.500 dígitos do maior número já registrado, que tem 23.249.425 dígitos (Divulgação) 

Fotos
Fonte: G1 Educação