30 de junho de 2022

Abuso sexual; Denunciar é o único caminho para a liberdade!

Esse é um tema que preferiríamos que nem existisse no mundo

Abuso sexual; Denunciar é o único caminho para a liberdade!

Na coluna Elas por Elas de hoje vamos abordar um tema que repercutiu muito nos últimos dias em nosso país, e em especial em nosso estado, a violência sexual contra meninas e mulheres. Esse é um tema que preferiríamos que nem existisse no mundo, mas infelizmente ele é real e mais comum do que imaginamos.

A nossa mulher corajosa de hoje é a Veridiana Barth, atual secretaria de Saúde do município de Guarujá do Sul. Com 11 anos sem entender o que acontecia ela se viu sendo violada por aquele que deveria protegê-la, seu pai, cujo papel era ser seu herói e que acabou se transformando em seu pior vilão. Dos 11 aos 16 anos foram incontáveis os episódios de abuso, ameaças, tortura psicológica e física.

Então com 16 anos finalmente ocorreu a denúncia por intermédio de um familiar. O início da liberdade de Veridiana veio acompanhado de uma tentativa de suicídio em virtude de toda a exposição e julgamentos que a cercaram. Ela relata que foram muitas as vezes que precisou narrar toda história em troca de olhares de julgamento e incompreensão até chegar a um profissional de psicologia realmente capacitado, e primordialmente humano que soube acolher sua dor e ajudar a retomar sua vida.

Veridiana deixa suas feridas de lado para nos ajudar a curar as feridas do mundo, sua maior preocupação e desejo durante toda a entrevista para essa matéria é que sua história ajude outras meninas e mulheres a saírem de situações parecidas. Seu pedido é que todas tenham coragem e força necessária para denunciar os abusadores.

Como ela mesma diz, não é um caminho fácil, mas é o único caminho para a liberdade.

A culpa e o medo são os carcereiros da prisão de milhares de vítimas acometidas por esse crime todos os dias em todas as partes do mundo e por isso é importante que falemos sobre isso e sejamos capazes de ajudar ao invés de nos limitarmos a ser meros juízes da desgraça alheia.

O relato de Veridiana serve para nos mostrar que existe vida após o caos da violência e que, todo sentimento de culpa, autoestima destruída e incapacidade perante a situação a qual as vítimas são expostas, podem dar espaço para a superação e o milagre de se reinventar como pessoas ainda mais fortes.

Só em 2022 já foram registradas 4.486 denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes no Brasil, segundo o balanço do ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A estimativa é que a cada hora, quatro crianças e adolescentes sofrem violência sexual no país. Ressalta-se que muitos estudos relatam que apenas 10% dos casos são denunciados o que dificulta ainda mais o combate a esse crime.

Como podemos mudar isso e zelar pela vida de tantas vítimas?

Falando sobre o problema e principalmente agindo. É preciso estar atentos, na maioria dos casos os abusadores são bem próximos das vítimas sendo tios, primos, amigos da família ou como no caso relatado aqui o próprio pai.

As vítimas jamais deveriam sentir-se culpadas já que sabemos que a culpa é SEMPRE do abusador.