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Como Hitler chegou ao poder?

05 Setembro 2018 21:28:28

A questão que aparece como título desta coluna é uma pergunta que muitos alunos me fazem e cuja resposta não cabe nas quinhentas palavras deste texto. É instigante e chocante analisar a trajetória da escalada ao poder de um homem, de um partido e de toda uma ideologia que transformou a Europa e o mundo em um pesadelo ao longo de pelo menos doze anos. E é ainda mais impressionante verificar que aquele homem não chegou ao poder sozinho, mas amparado por milhões de pessoas que com ele compartilhavam uma vasta gama de ódios.

Adolf Hitler não tomou o poder. Ele o alcançou democraticamente, seguindo os ritos políticos da Alemanha da República de Weimar. Derrotada na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha procurava se encontrar e se reerguer das cinzas, e tentou fazê-lo democraticamente: o sistema monárquico foi abolido ainda em 1918 e substituído por uma estrutura republicana que tinha sua sede na cidade de Weimar. Ainda que acorrentados às pesadas exigências do Tratado de Versalhes (imposto pelos vencedores da Guerra), os governantes de Weimar foram aos poucos recuperando a economia alemã, contando, sobretudo, com apoio dos Estados Unidos.

Mas Hitler e seus asseclas não concordavam com os pressupostos democráticos. Para eles, a democracia era apenas uma farsa que permitia que os piores elementos da sociedade se infiltrassem no poder e manipulassem o governo em prejuízo do "cidadão de bem" alemão. Esses piores elementos tinham nomes: judeus e comunistas. Na delirante visão de mundo hitlerista, os judeus detinham o controle das finanças nas democracias ocidentais e também das governos das ditadoras comunistas orientais.

O Partido Nazista, formulado e organizado ao longo da década de 1920, não se apresentava como grupo político. Pelo contrário, os nazistas se diziam apolíticos: para eles, todo político era corrupto e a própria política era apenas um engodo. Eles preferiam se apresentar como renovadores da nação, paladinos da justiça, da moral e dos bons costumes.

Ou seja, Hitler era o herói daqueles que detestavam política, o cara que iria acabar com a bagunça instalada pela República de Weimar.

Hitler também cumpria com outro pressuposto da moralidade: ele não era corrupto. Pelo contrário, até se tornar chanceler, era um homem de hábitos simples e, até onde se sabe, sem qualquer envolvimento com escândalos de corrupção. Além do mais, ele ressuscitou o nacionalismo alemão, um tanto apagado após a derrota na Primeira Guerra, e trouxe à tona velhos preconceitos que estavam latentes por toda a Europa, entre eles o ódio contra judeus, homossexuais, ciganos e deficientes (vistos como grupos de vagabundos e privilegiados pelos estados democráticos). Depois de tomar o poder, estava aberta a temporada de caça a toda aquela "escória".

Os seguidores mais ardorosos do nazismo não foram pessoas violentas, psicopatas entorpecidos ou assassinos frios e calculistas. Foram "cidadãos de bem" que queriam defender a família tradicional alemã contra os perigos e influências do comunismo, do judaísmo e da homossexualidade. Esses cidadãos votaram alegremente no Partido Nazista e aplaudiram entusiasticamente cada passo da demolição da democracia empreendida por Adolf Hitler.

O maior campo de extermínio nazista ficava na Polônia e se chamava Auschwitz. A frase inscrita sobre o portão de entrada do campo é "Arbeit macht frei", que significa "O trabalho liberta". Sim, o campo serviria para ensinar aqueles "vagabundos" (comunistas, judeus, gays e deficientes) a "trabalhar". Veja bem a que ponto chegam os discursos de ódio quando tornam-se práticas de poder.

Dionísio Cerqueira (SC) - Barracão (PR)
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