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Sobre liberdade e verdade

16 Novembro 2018 10:11:36

A violência, a educação precária, o custo Brasil, a escassez de oportunidades, o dogmatismo ideológico e o isolamento do país no contexto global usurparam do brasileiro o seu direito mais básico: a liberdade. Ao usar 11 vezes o termo liberdade no discurso de vitória, o presidente eleito, Jair Bolsonaro, tocou num ponto central há muito esquecido no Brasil. A repercussão, no entanto, ficou aquém da importância histórica e simbólica do termo e da ênfase dada ao mesmo. Parece que o país não teve repertório suficiente para compreender a força da mensagem e todos os seus desdobramentos: o presidente eleito citou expressamente liberdade do ir e vir, de se expressar, de fazer escolhas, de empreender.

As manifestações de 2013, quando centenas de milhares de pessoas foram às ruas protestar foram, em última instância, exatamente sobre liberdade. Um dos líderes do movimento afirmou "não me venham com rótulos de direita ou esquerda, de partidos políticos. Sou um jovem que viajou para fora, vi que lá as coisas funcionam e quero o mesmo aqui". O item número um de desejo do brasileiro que viaja para o exterior é exatamente o sentimento de poder caminhar tranquilamente pelas ruas do mundo e pagar um preço justo por um produto que no seu país custa duas, às vezes três vezes mais.

Estamos perdendo os nossos jovens para o tráfico, a violência ou para nações mais desenvolvidas que já entenderam toda a dimensão do termo liberdade. Pesquisa recente indicou que 62% dos brasileiros entre 16 e 24 anos se mudariam para o exterior. Num passado não muito distante foi o contrário: o mundo se encontrava no Brasil e passava por aqui a esperança do planeta por dias melhores. De lá para cá, mesmo com a abertura nos anos 1990, o Brasil se transformou num país ensimesmado, um local infenso às novas ideias, porque não convive com elas. No estudo de competitividade do turismo elaborado pelo Fórum Econômico Mundial aparecemos na 96ª colocação no quesito "Abertura internacional", num ranking com 136 países.

Outra palavra enfatizada pelo presidente eleito foi "verdade". Após mais de uma década de hegemonia da esquerda no país, é preciso reanalisar alguns conceitos postos como absolutos. O resultado das urnas pede uma atitude mais pragmática dos líderes. Menos discussões filosóficas intangíveis, mais ação concreta focada em resultado. Chega de querer empregos e ser contra as empresas, de manter um estado que gera um déficit público nominal de R$ 562,8 bilhões e lutar contra a reforma da Previdência, de querer serviços públicos de padrões britânicos sem antes discutir quem vai pagar a conta.

A verdade é necessária para estabelecer um pacto em prol do desenvolvimento. Só com ela é possível escolher os melhores caminhos a se percorrer. Os temas estratégicos foram colocados na mesa. O desafio agora é conquistar a atenção e compreensão da audiência.

Dionísio Cerqueira (SC) - Barracão (PR)
(49) 3644-1724 - editoria@jornaldafronteira.com.br
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