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Antonio Gavazzoni

13 Setembro 2018 08:32:22

A facada que nos atinge

A tentativa de homicídio cometida contra o presidenciável Jair Bolsonaro, na véspera da data em que se comemora a proclamação da nossa independência, foi a concretização de uma onda de intolerância que vem tomando conta do Brasil não é de hoje. Acabamos nos acostumando a ataques verbais e nas redes sociais, mas quando assistimos a um gesto de tamanha agressividade contra a vida, parece que a verdade salta aos olhos.

A facada no Bolsonaro, o assassinato da Marielle e de seu motorista, os tiros ao ônibus da caravana de Lula. Essas atitudes extremas são a expressão máxima do clima de tensão política e ideológica que nos permeia. Os vídeos que circularam na internet com agressões verbais em locais públicos a ministroas do Supremo, ou ao ex-ministro Mantega, ofendido quando acompanhava a esposa em tratamento de câncer são apenas alguns casos de insultos que ganharam enorme visibilidade nas redes sociais e aplicativos de conversa, alimentados e turbinados por mais comentários de ódio daqueles que assistem e multiplicam esse tipo de conteúdo.

Indignação é um sentimento legítimo e fundamental para transformar situações que nos desagradam. Mas indignação é diferente de desrespeito e passa longe do insulto e da ofensa. Não gostar do Bolsonaro não deveria dar a ninguém o direito de comemorar o atentado sofrido por ele e muito menos desejar sua morte. Mas muitos não só pensaram assim, como fizeram questão de expor seu ódio na internet, alimentando ainda mais o rancor e a intolerância. O mesmo aconteceu com Lula e com Marielle.

O ódio não tem partido. O ódio cega, impede o diálogo. Amizades estão sendo desfeitas por conta de opiniões políticas diferentes. Famílias brigam por discordância ideológica. Esse ambiente que ganhou a maior parte dos círculos pessoais e profissionais é um retrocesso absurdo para a democracia. Muitas pessoas evitam conversar para evitar briga. Não se dão o direito de usar uma roupa da cor preferida ou colar no carro um adesivo de um candidato que admiram.

Depois de processos duros enfrentados recentemente, com crises política e econômica profundas, impeachment de uma presidente eleita, deveríamos estar justamente mais abertos à discussão, à busca de novas propostas, à inclusão. Mas o que se vê é o contrário. Pessoas que discordam, simplesmente atacam. Com palavras, com gritos, com armas, com faca. Esse clima explosivo tem potencial de piorar. Mas o que nós podemos fazer contra tudo isso?

Podemos exercitar a tolerância. Ouvir as opiniões diferentes. Aprender com elas, mesmo sem concordar. Falar de política de maneira construtiva. Conversar com nossos filhos para que não hasteiem bandeiras de ódio. Participar da política, estimular gente boa e jovem a fazer o mesmo. Estimular as mulheres para que participem mais. Podemos selecionar o que assistimos e ouvimos. Principalmente os conteúdos que damos acesso aos nossos filhos.

Estamos vendo que o que começa com um xingamento na internet pode acabar com um atentado contra a vida. Façamos a nossa parte para reverter esse quadro antes que sejamos nós mesmos vitimados por nossas opiniões.

Dionísio Cerqueira (SC) - Barracão (PR)
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